Entrei numa fase crítica com relação a roupas.


As antigas são gigantes e as menores ainda não servem muito bem, ficam meio apertadas. Não sei o que faço, se aguento um pouco ou dispendo algum dinheiro agora.
Não queria gastar com roupas que daqui a pouco não vou poder usar mais. Ainda mais que virei consumista de novo e tenho umas listinhas de compras pros próximos meses: aquele relógio da timberland, um Iphone, um Nintendo Wee, Uma bicicleta, o carrossel de CD pro meu carro... Ainda bem que to ganhando bem mais no novo emprego.
Vai fazer 2 meses que eu não sinto mais minhas pernas direito. A Dra. disse que é normal por enquanto e receitou a injeção de citoneurim de 6 em 6 meses.
Mas é muito estranho, esses dias chegou a doer um pouco de tão dormente.
Continuo vomitando muito. Tenho que dar um jeito nisso... Tudo depende de como sento na mesa pra comer. Se tô ansioso, mesmo que coma devagar, a comida não desce. Vou ter que fazer umas posições de yoga antes de cada garfada...
Tenho saído muito pra comer e descobrir lugares novos. Muita gente me xinga, diz que eu não devia fazer isso depois da cirurgia.. Mas o que eles não entendem é que antes eu nem percebia a comida. Só metia pra dentro. E agora, eu desfruto de cada garfada, gosto de pratos decorados, bem feitos. Agora sim, comer é um prazer...
Ontem no almoço eu deixei o prato inteiro praticamente. Nem toquei na carne. Porque a carne não tava como eu gosto. E antigamente, mesmo se a carne ou qualquer coisa não estivesse como eu gostava, eu metia pro estômago do mesmo jeito. Agora não, meu pensamento mudou. Só engulo o que vale a pena mesmo. E ainda fotógrafo, coloco no outro blog...
O trabalho novo é um paraíso. Fica na rua mais chique de Porto Alegre. Agora, na hora do almoço, é só descer alguns andares e tenho uma gama de restaurantes a minha disposição. Tenho comido muito comida japonesa e num que tem muita salada e produtos integrais. Mas sempre tem carne, frango e peixe. Gosto desse porque não é radical. O nome é "Todo Saúde". São opções saudáveis. E tem carne. Assim não deixo de ingerir minhas quantidades diárias de proteína animal.

Esses dias aconteceu um lance bizarro enquanto eu tava indo jantar... Em uma rotatória, eu acabei não dando prioridade pra um cara que tinha prioridade. Errei, confesso.
No entanto, ele me xingou de uma maneira que me transtornou demais.. Normalmente isso não me atinge de jeito nenhum. Ao contrário, devolvo na mesma moeda. No entanto, ele me chamou de "gordo FDP". Pô, o "FDP" nem é o problema, mas o gordo sim... Fiquei horas depois pensando nisso.
Até porque dessa vez eu não poderia devolver pro cara na mesma moeda, afinal, ele não era gordo.
Sei que é besteira, mas depois fiquei pensando em como a gente sofre com esse tipo de agressão verbal. Como superamos isso e nos tornamos pessoas melhores.
Não sei se eu nunca tivesse sido gordo, não xingaria os gordos quando era moleque também. Engraçado que eu não sinto raiva de ninguém... Eu sinto pela situação, pela minha situação. Mas nunca fiquei com raiva dessas pessoas. Sinto raiva da sociedade como um todo que estimula esse tipo de agressão.
No entanto, o cara que fez isso só está obedecendo o que ele foi "programado" a fazer. A odiar os gordos, os foras de forma, os fora de padrão. É como meu cachorro... Ele chegou um demônio aqui em casa, mas agora me respeita que é uma beleza. Ele foi condicionado por mim a fazer as coisas certas. Esse cara não, apesar dele provavelmente achar que realmente eu, por ser gordo, sou uma aberração.
Esse pobre coitado que me xingou, provavelmente se acha o máximo, deve ser sarado, malhado. Todas as mulheres devem pagar pau pra ele... Mas provavelmente ele não é mais nada além disso. Não vai deixar de ser um merda que se acha. Ele só se esquece que o tempo é cruel pra todos, e um dia a barriga dele não será mais sarada, o cabelo dele não será tão abundante... E se ele não tiver dinheiro, as mulheres da vida dele sumirão na mesma proporção que os fios de cabelos brancos aparecem.
Também estive no aniversário de uma sobrinha e percebi esse tipo de atitude "nascendo"... Fiquei de canto, observando tudo.. Meus pais e parentes sentados num canto, as crianças correndo pra todo lado e outro grupo de criança na mesa.
Derrepente, chegou uma criança bem gordinha. Beeem gordinha. Mais gorda do que eu era na mesma idade.
Aí começaram os burburinhos.. As crianças soltando piadinhas, a gordinha cabisbaixa tentando enfrentar a situação... Mas pior, foram meus parentes, pois são adultos e deveriam ser mais sensíveis. Começaram a observar e falar de cada coisa que a guria comia. A guria provavelmente comeu bem menos que qualquer um ali, pois estava tímida. Mas cada docinho ou pedaço de cachorro quente que colocava na boca, era sinal de risadinhas, piadinhas de mal gosto.
Eu me identifiquei muito ali... Inclusive pela maneira que ela foi ignorada pelas crianças como companhia.
Não tive dúvida... Me aproximei dela, conversei.. Consegui ver seu semblante de sorriso, sua vontade de falar comigo... Deixei ela a vontade, puxei papo...
Já fizeram isso comigo. Só agora eu entendo que essas pessoas estavam vendo algo que eu não via ainda. O quanto eu ia sofrer por isso pelo resto da vida.
Agradeço por cada um que passou na minha vida como eu tentei passar na vida dessa guriazinha. Só espero que ela encontre seu lugar no mundo logo e não precise chegar até os 30, como eu, sofrendo por gente que não merece.
Ah, como é bom desabafar. :)


Foto feita agora, descabelado, recém saído da cama e blogando...
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BRASIL, Sul, PORTO ALEGRE, BOM FIM, Homem, de 26 a 35 anos
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